Almaraz: Acidente nuclear pode afetar 800 mil pessoas em Portugal

Em caso de acidente, a nuvem radioativa chegaria a território português em 12 horas, afetando as cidades mais próximas da fronteira espanhola, onde vivem cerca de 45 mil pessoas.

Um estudo feito pelo Exército, a que a rádio Renascença teve acesso, conclui que em caso de acidente grave na central nuclear de Almaraz, em Espanha, cerca de 800 mil pessoas em Portugal seriam afetadas pela radioatividade. Embora a probabilidade de um acidente vir a acontecer seja “relativamente baixa”, a nuvem radioativa deslocar-se-ia para a zona norte em poucas horas e o distrito de Castelo Branco seria o mais afetado.

A simulação, feita pelo Elemento de Defesa Biológico, Químico e Radiológico do Comando das Forças Terrestres, teve como base um cenário idêntico ao de Chernobyl que em 1986, em que rebentou um reator, seguido de um incêndio de grandes proporções e da contaminação de uma vasta área em territórios sob jurisdição da antiga União Soviética.

Segundo o estudo, a nuvem radioativa chegaria a território português 12 horas após o acidente, tendo em conta as condições meteorológicas registadas no terreno, e “dada a proximidade com a fronteira espanhola, os concelhos de Idanha-a-Nova, Castelo Branco e Penamacor, onde vivem cerca de 45 mil pessoas, registam o maior nível de afetação”.

“Os distritos atingidos pela nuvem radioactiva são os que ficam no norte de Portugal, sendo que o distrito de Castelo Branco será o mais afetado, mas sempre com valores baixos de radioatividade. No total, prevê-se que afete 800 mil pessoas”, explica a major Ana Silva, em declarações à Renascença.

Pior do que a exposição imediata à radiação seria a exposição prolongada. O estudo indica que os 170 habitantes de Segura, uma aldeia do concelho de Idanha-a-Nova, teriam que ser retirados como medida de precaução, apesar de a povoação desconhecer este estudo. A exposição prolongada dos humanos à radiação aumenta a probailidade de se vir a desenvolver cancro, na ordem dos 5,5%, e, em doses superiores a 1 sievert, seria capaz de matar em poucas semanas.

A major Ana Silva lamenta que ainda não haja um planeamento partilhado entre Portugal e Espanha para o caso de um eventual acidente nem a preocupação em informar a população sobre o que deve fazer em caso de isso vir a acontecer.

“Não são necessários equipamentos especiais. Basta que as pessoas se fechem em casa, desliguem os aparelhos de ar condicionado, cortem todo o contacto com o exterior e não utilizem água da torneira até que as autoridades comuniquem que o perigo passou”, explica a oficial do Exército.