Aeroporto de Lisboa vai atingir 25 milhões de passageiros este ano

O aeroporto Humberto Delgado vai continuar a bater recordes de tráfego de passageiros, mas está cada vez mais perto do limite da capacidade.

Cristina Bernardo

O aeroporto de Lisboa continua em rota ascendente em termos de tráfego. Fechou o ano passado com cerca de 22,5 milhões de passageiros, um novo recorde, que vai ser batido outra vez em 2017. A barreira a ser ultrapassada este ano situa-se nos 25 milhões de passageiros e haverá poucas dúvidas de que essa fasquia vai ser alcançada.

“O processo de pedido e atribuição de faixas horárias (‘slots’) para o verão de 2017 evidenciou o crescimento acentuado da procura, esperando-se que este ano venham a ser atingidos 25 milhões de passageiros, ultrapassando-se novamente recordes de crescimento”, assegurou na passada quarta-feira Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, na cerimónia que marcou a assinatura do memorando de entendimento entre o Estado português e a ANA,  para formalizar a alternativa do Montijo para complemento ao atual aeroporto Humberto Delgado. AANA é a concessionária dos aeroportos nacionais, detida pelo grupo francês Vinci.

Mesmo que o Montijo seja a opção final para essa alternativa suplementar à Portela, é importante reter que as obras, mesmo que se iniciem em 2018, vão demorar cerca de ano e meio a dois anos. Na melhor das hipóteses, a infraestrutura deverá estar apenas operacional no final da segunda metade de 2019. Até lá, o aeroporto Humberto Delgado vai voltar a rebentar pelas costuras.

Os últimos dados do setor internacional da aviação civil apontam para uma duplicação do número de passageiros entre a data presente e 2035. Um desafio gigantesco, muito alimentado pela China, de onde se espera que neste prazo passem a existir cerca de 150 milhões de passageiros frequentes.  E que quer dizer que a capacidade projetada pelo Humberto Delgado e pelo Montijo, 50 milhões de passageiros anuais, deverá esgotar ao fim de pouco mais de quinze anos depois de o Montijo entrar em funcionamento.

Sensibilizado para esta realidade a Oriente, o primeiro-ministro António Costa relembrou nessa cerimónia que o futuro aeroporto de Lisboa, o atual Humberto Delgado, não deverá ser apenas um hub para África, a América do Sul e, mais recentemente, para a América do Norte.  Depois das obras, que devem oscilar entre 250 e 350 milhões de euros, como o Jornal Económico avançou na passada edição impressa, podendo chegar mesmo aos 400 milhões de euros, o primeiro-ministro quer mais.

“É preciso ter ambição para outros destinos e outras rotas. Como recentemente tive oportunidade de verificar nas minhas visitas oficiais à China e à Índia, existe nestes países um enorme potencial de crescimento e de desenvolvimento das rotas para Oriente. Temos de ter uma nova ambição nesse sentido”, defendeu António Costa nesse evento.



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