Advogados de Sócrates acusam juiz Carlos Alexandre de não ter sido “isento, competente, honesto e imparcial”

Os dois advogados de defesa do antigo primeiro-ministro José Sócrates consideram que a acusação deduzida pelo Ministério Público não passa de "uma fuga para a frente" e aliás, "como as anteriores imputações, vazia de factos e de provas. Oca." Também dizem "não ter dúvidas" de que Carlos Alexandre não será o juiz de instrução.

“O senhor juiz Carlos Alexandre não foi um juiz sorteado para este processo. Foi um juiz escolhido pelo senhor procurador. Até agora. E foi um juiz que se absteve de exercer qualquer controlo jurisdicional efetivo, independente, competente e imparcial neste processo. Nós não temos dúvidas que o senhor juiz Carlos Alexandre não poderá ser juiz de instrução. Não temos essa dúvida,” declarou esta noite Pedro Delille, um dos advogados de defesa do antigo primeiro-ministro José Sócrates. O referido advogado tinha sido questionado por uma jornalista sobre se “o facto de o juiz Carlos Alexandre estar no Tribunal Central de Instrução Criminal pode fazê-los hesitar na hora de requerer a abertura da instrução.”

Alguns minutos antes, João Araújo, outro advogado de Sócrates, já tinha apontado no mesmo sentido. “O processo tem estado na propriedade do senhor procurador-geral adjunto. Tem estado nas mãos do Ministério Público, sem qualquer controlo judicial que devia existir. Terminou essa fase. O que nós pensamos é que, a partir de agora, isto será confiado a um juiz. […] Não sei quem vai ser, seja quem for. Eu parto do princípio que um juiz é isento, honesto e imparcial,” sublinhou Araújo, questionado então sobre o significado de uma frase do comunicado que os advogados enviaram hoje para os demais órgãos de comunicação social: “Finalmente este processo ficará a cargo de um juiz isento, competente e imparcial.”

Ou seja, implicitamente, os advogados de Sócrates acusam o juiz Carlos Alexandre de não ter sido “isento, competente, honesto e imparcial” relativamente ao processo da “Operação Marquês” que desembocou hoje na dedução de uma acusação contra 28 arguidos, dos quais 19 pessoas e nove empresas. Sócrates é o principal arguido, sendo acusado pela prática de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada. Embora admitam que ainda não conhecem “mais de cinco por cento” do processo, os advogados de Sócrates refutam as acusações e prometem: “Vamos reagir a isso até não restar folha sobre folha destes milhões de folhas que o processo tem.”

 





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