Admirável mundo novo

Enquanto em Portugal estamos ocupados com intrigas palacianas (até porque há dois palácios envolvidos no caso dos ‘sms’ de António Domingues), lá fora o mundo continua a rodar, com o tema da Inteligência Artificial (IA) a ganhar cada vez mais relevância e atualidade.

Desengane-se quem pensa que a IA é assunto de filmes de ficção científica, ou de uma qualquer distopia. A IA está ao virar da esquina e promete colocar o nosso mundo de pernas para o ar, com implicações não só na forma como vivemos, mas na própria organização da sociedade.

Existem algumas implicações mais ou menos óbvias, que se podem vislumbrar com razoável grau de previsibilidade. Por exemplo, o impacto que os carros sem condutor terão no setor dos transportes. O que farão os taxistas, que hoje protestam violentamente contra a Uber, quando surgirem os “Uber” sem condutor?

Outro setor afetado pela massificação de veículos sem condutor será o das seguradoras, que hoje dependem em larga medida do ramo automóvel. E há também questões éticas que se levantam. Por exemplo, o que deve um carro com condução automática fazer se tiver de escolher entre atropelar um transeunte ou despistar-se e assim pôr em causa as vidas dos seus passageiros?

Mas há outras questões, até do foro filosófico, que surgirão com o advento da AI. Como faremos quando os robots colocarem mais de metade da população ativa dos países ocidentais no desemprego, deixando apenas os empregos mais criativos e diferenciadores, onde o toque humano seja realmente necessário?  Que propósito de vida teremos quando o nosso trabalho deixar de ser necessário e o Estado nos pagar um rendimento universal garantido, financiado pelos colossais ganhos de produtividade gerados pela IA, como antecipam visionários como Elon Musk?

E que tipo de sociedade será a nossa quando o trabalho – que tem sido o principal elevador social, nos últimos 150 anos – deixar de ser possível?
Ou será que o cenário é ainda mais negro e pensadores como Stephen Hawking estão certos quando alertam para o risco de a IA colocar em causa a própria sobrevivência da espécie humana?

O trabalho que o jornalista António Sarmento publica hoje no caderno Et Cetera tenta dar resposta a estas e outras questões.
O certo é que o mundo está prestes a entrar num momento de viragem que, eventualmente, só terá paralelo com a Revolução Industrial que, nos séculos XVIII e XIX, pôs termo à estrutura económica e social herdada do Antigo Regime. Como disse Toffler, a mudança é o processo através do qual o futuro invade as nossas vidas.

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