A vida e os negócios da mulher que gere fortunas

Emília Vieira é a presidente da Casa de Investimentos, instituição sediada em Braga que gere cerca de 100 milhões de euros e com um retorno médio anual na casa dos 12%. Em entrevista ao Jornal Económico, esta admiradora de Warren Buffet lamenta a destruição de valor ocorrida em Portugal com os sucessivos escândalos bancários e propõe a filosofia do investimento em valor como a opção certa para quem procura retornos atrativos com baixo risco.

Cristina Bernardo

Passou pelo antigo BPA, teve uma carreira académica, passou pela banca internacional e há poucos anos fundou a Casa de Investimentos. Fale-nos um pouco do seu percurso.

Licenciei-me em Gestão de Empresas na Universidade do Minho (UM) e ainda durante o curso dei aulas de estatística. As áreas de estatística e matemática interessavam-me particularmente e era boa aluna. Comecei a dar aulas na UM com 21 anos e estive lá dois anos. Tinha receio de não arranjar emprego quando acabasse o curso e comecei a trabalhar ainda antes de terminar, no último ano. Adoro o ensino e toda a minha vida estive ligada ao ensino. Mas também gostava muito da prática e naquela altura achei que fazia sentido aplicar os meus conhecimentos. Concorri para o Banco Português do Atlântico (BPA), pois na altura a banca contratava muitos recém-licenciados e tive a sorte de ir para um balcão excepcional, que era o BPA em Famalicão. Era um dos maiores balcões do país, com 58 colaboradores e onde estavam como clientes várias grandes empresas, como o Grupo Têxtil Manuel Gonçalves. Foi uma experiência óptima, pois tive contacto com a realidade das empresas. Passados cerca de 15 meses, fui para a direção regional do BPA.

Isso foi antes da integração do BPA no BCP.

Sim, entre 1989 e 1994. Mas sempre quis continuar a estudar, porque gostava de dar aulas. Quis então fazer um mestrado em Finanças. Portugal estava já num processo de integração na moeda única e as taxas de juro estavam ainda na casa dos 20 e poucos por cento e teria de corrigir para valores mais próximos daquilo que era a curva de rendimentos alemã. Portanto, achei que deveria fazer o mestrado numa universidade em que a componente mais forte fosse a dos derivados. Fui para a Universidade de Lancaster, em Inglaterra. Pude conviver com pessoas de todas as proveniências, desde turcos, chineses, mexicanos, dinamarqueses, tendo apenas um colega que era inglês de origem. Era um curso de grande nível, com professores como o Richard Stapleton e o Steven Taylor. A parte lectiva foi bastante enriquecedora. Éramos, julgo, 42 colegas e fomos oito os que começamos a fazer o mestrado na área de taxas de juro, na curva de rendimentos. Os professores também nos incentivavam a isso, porque era um tema que queriam desenvolver. Começamos oito, como disse, mas fui a única que terminei e na altura veio a ser a melhor tese de sempre naquela universidade.

E depois regressou a Portugal?

Sim, vim para Portugal e, no avião, conheci o assessor do Dr. Alves Monteiro, que na altura era o presidente da bolsa. Passadas duas semanas após ter regressado ao banco – que já era BCP -, tive um telefonema do Dr. Alves Monteiro a convidar-me para ir trabalhar para a Bolsa de Derivados do Porto. Aceitei o convite e fui para a bolsa coordenar a formação avançada para executivos, mais uma vez para a banca e foi um período absolutamente gratificante, porque o mercado tinha muito pouca formação avançada nesta área. Depois cheguei à conclusão que o volume da Bolsa de Derivados era muito pequeno e achei que a prazo tenderia a acabar. Também tinha interesse em fazer o doutoramento e os meus professores acabaram por me convidar a participar em formação e consultoria a nível mundial, junto de clientes como o Deutsche Bank, Tokyo-Mitsubishi, Merrill Lynch, Banco de Inglaterra e Banco Central Europeu. Com o UBS, foi um dos contratos que mais gostei de trabalhar, pois foram três anos só a dar formação em Londres, Zurique e Nova Iorque, o que permitia aprender muito com os melhores gestores mundiais de dinheiro. Na altura, fizemos o IPO do Deutsche Telecom e preparamos o da France Telecom, com um banco francês, como normalmente acontece em França. Foi um período extraordinário, mas consegui conciliar, pois usava sempre as minhas férias e a flexibilidade que o Dr. Alves Monteiro me permitia para fazer essa formação aos fins-de-semana. Esse período durou 14 anos, mais ou menos até 2008, apesar de em 2000 me ter nascido o primeiro filho, no final do ano. Consegui conciliar durante bastante tempo com a ajuda do pai, da avó e de uma colaboradora que tenho em casa desde essa altura. Comecei a fazer menos as viagens intercontinentais, para estar mais concentrada na Europa, em Frankfurt, Paris e Londres.

Como surgiu o projeto da Casa de Investimentos?

Um dia conheci o Dr. Leonardo Matias, que me fez um telefonema a perguntar se não tinha um amigo que queria abrir a Fincor em Braga e se não seria uma boa altura. O meu marido estava numa outra empresa e entendeu-se que convinha que alguém estivesse o tempo inteiro em Braga por causa do miúdo. Portanto acabamos por decidir abrir.

E a partir de 2005 entrou o Hugo Roque, co-fundador da Casa de Investimentos. Fazia sentido porque sempre gostei muito da gestão de dinheiro e sempre investi em ações. Como faço hoje com todo o dinheiro que tenho. O que rapidamente verificamos é que o sistema bancário não defende os interesses dos clientes, ao comprar e vender, porque há um problema de incentivos. Os gestores bancários querem aumentar as comissões e os seus interesses não estão alinhados com os dos clientes. Não é assim que se cria riqueza para os clientes, pois passa a ser um jogo de sorte e azar, um jogo constante de comprar e vender ações. Nós acreditamos no investimento em valor.

Pouca gente segue essa filosofia de investimento em Portugal.

Em Portugal não há ninguém que siga a filosofia de valor. Acho que isso é uma marca de distinção da Casa de Investimentos. É exatamente a filosofia de investimento, que nós, de tudo o que lemos, da leitura que fazemos, que achamos que é mais consistente a médio e longo-prazo e esse é o traço mais importante de um investimento, que é concentrarmo-nos no longo prazo.

Quais são os princípios básicos do investimento em valor?

Costumamos dizer que são necessários quatro filtros. Primeiro, é preciso que tenhamos capacidade de entender e conhecer bem um determinado ativo. Segundo, é preciso que seja um ativo com enormes vantagens competitivas, aquilo que chamamos de “moat” – o fosso que protegia os castelos medievais. A ‘moat’ é exatamente isso, um fosso económico que uma empresa tem e que a distingue da concorrência. O que nós queremos é exatamente isso, que uma empresa tenha ativos de excelente qualidade e tenha capacidade para manter essas características competitivas para o futuro. Porque quando a compramos hoje, estamos a comprar um ativo que nos vais dar direito a lucros futuros.

O terceiro filtro é que sejam geridas por gente competente, íntegra e trabalhadora. Essas três qualidades fazem falta porque quando há competência e trabalho mas não há integridade, é um desastre, sobretudo em áreas como o sector financeiro.

O quarto filtro é que, independentemente de um ativo reunir todas estas qualidades, não há um preço infinito. Deve ser comprado a um preço sensato, com uma margem de segurança que consiste na diferença entre aquilo que vale o activo e o seu preço no mercado. Esta diferença entre o valor e o preço é o que nos dá uma margem de segurança para o caso de existir um erro de cálculo ou outro imprevisto. Se o ativo vale 10, nós compramos a 6 ou 6,5, de preferência até menos, para poder ter aqui uma margem grande que nos permita reduzir o risco. E por isso é que a filosofia de investimento em valor tem muito menos risco. É uma filosofia de baixo risco. Aliás, a regra número um do investimento em valor é não perder dinheiro e a número dois é não esquecer a primeira. Esta é uma frase do Sr. Warren Buffet, que faz todo sentido.

Diz que na banca os interesses dos clientes e dos gestores nem sempre estão alinhados. Como funcionam as vossas comissões?

Temos dois tipos de comissões: umas são fixas e incidem sobre o montante que o cliente deposita; e temos uma comissão de performance. Quando a comissão é apenas fixa e muito elevada, os gestores de dinheiro tendem a encostar-se à mediocridade e quando a comissão é apenas variável arriscam muito mais com o dinheiro dos clientes. Portanto nós achamos, após estudar durante estes quatro anos que estivemos à espera que a CMVM e o Banco de Portugal nos dessem a licença para operar, que a melhor estratégia para que os clientes vejam que é possível também no sector financeiro criar um negócio que seja bom para os dois lados. Mas só conseguimos, e neste caso, é nos dois casos, se tivermos um posicionamento a longo prazo. E a Casa de Investimentos faz isso também na forma como gere os seus fundos próprios. Trabalhamos com margem de segurança.

Qual é o montante mínimo para investir na Casa de Investimento?

O montante mínimo começou por ser de 25 mil euros, mas agora é de 100 mil euros. Há situações em que abrimos excepções. Temos uma necessidade fundamental que é encontrar o parceiro certo para dançar o tango, que deve ser alguém que compreenda a filosofia de investimento e que está em sintonia com aquilo que estamos a fazer. Gostamos de mostrar o porquê de privilegiarmos o investimento em ações, que é outra característica que distingue a casa de investimentos.

Encontram muitos potenciais clientes “escaldados” com as falências bancárias que tiveram lugar em Portugal?

Sempre, há muito disso no nosso trabalho. Infelizmente, ontem estive com uma pessoa que perdeu quase 50% dos seus investimentos. E se tivesse aplicado esse dinheiro na Casa de Investimentos, a cinco anos, em vez de hoje ter 30 milhões, teria 120. Esse dinheiro que foi destruído já não vai criar mais nada e isso é que é chocante num país pobre, onde é difícil pouparmos. Já temos rendimentos baixos e ainda temos estas situações. Não temos formação financeira e o nível de literacia financeira é muito baixo.

Todos, como seres humanos, temos comportamentos que, às vezes, nos tornam à partida maus investidores. E se estivermos em alerta para eles é muito mais fácil fazermos a gestão no nosso melhor interesse e pelo menos saber ouvir quem nos pode gerir o dinheiro. Um dos vieses é que atribuímos uma experiência maior à nossa experiência pessoal e ao que aconteceu recentemente. Se o mercado recentemente esteve a subir, nós, seres humanos, estamos muito mais exuberantes e com a tendência de continuar e a apostar, pois detestamos ver dinheiro parado quando o mercado está a subir. Mas não devemos seguir a multidão, porque normalmente a multidão não faz a escolha certa. Aquilo que diz o David Swensen, que é gestor de fundos há 30 anos e tem uma rentabilidade média de 13%, é fundamentalmente que o caminho menos percorrido é o que conduz ao sucesso.

Na Casa de Investimentos tentamos percorrer o caminho menos percorrido. Seleccionamos um conjunto de empresas que achamos que são máquinas extraordinárias de criação de riqueza. Porque preenchem os balanços, porque têm as vantagens competitivas, porque têm rentabilidades acima da média. Fazemos uma análise e temos de comprar abaixo do valor, mas para isso, vamos analisar os balanços e as demonstrações financeiras da empresa nos últimos 10 anos. Tem de ser feito um escrutínio dos gestores da informação qualitativa, se são bons a alocar capital, porque um CEO é um alocador de capital. O que nos interessa aqui, é que o CEO, quando vai comprar outros negócios e outras empresas não faça a qualquer preço e quando recompra ações e nós gostamos muito de ver essa política nas empresas de recomprar ações próprias, por exemplo na IBM e como em quase todas as empresas que temos em carteira, que é exatamente o contrário do que fez o BCP com a diluição sempre de ações e diluição do accionista… aqui não, estamos a retirar ações do mercado como faz a Apple, como faz a Microsoft, sem qualquer impacto fiscal.

Referiu que o montante mínimo para investir é de 100 mil euros. E o maior cliente, quanto investiu?

É um ‘family office’ que investiu cerca de 20 milhões de euros.

O que acha da expressão “jogar na bolsa”?

Acho horrível, porque na bolsa não se joga. Se as pessoas quiserem jogar, peguem em 50 euros ou 100, façam um bom jantar com os amigos e percam esse dinheiro no casino. Como é possível que uma pessoa, quando quer comprar um frigorífico ou um carro, ande a estudar a situação durante três ou quatro meses, mas depois faça um investimento de milhares de euros em apenas uma hora, sem perceber o que está a fazer? Porquê? Tenho um ensaio que escrevi para a revista “Exame”, em 2012. Que é sobre isto: temos dois vícios terríveis, o primeiro é que quando fazemos um negócio e aceitamos, isso faz-nos sentir bem connosco. A neurociência explica isto de uma forma muito simples: libertamos dopamina que nos faz sentir eufóricos. E temos outro vício que é seguir a multidão, que é muito mais fácil fazer o que toda a gente está a fazer, pois fazer o contrário é doloroso e equivale quase a partir um osso. Mas na verdade temos de fazer o contrário do que estão a fazer. É essa mentalidade que queremos mudar com a formação financeira que fazemos e com os artigos que escrevemos, com as conferências que vamos organizando.

A filosofia de investimento deve ser democratizada?

Queremos criar uma fileira de investidores em valor. Temos a decorrer há dois anos um processo de criação de um fundo de investimento e queremos democratizar a filosofia de investimento para a pequena poupança. Queremos olhar para valor na casa dos mil euros com reforços de 100 euros mensais, para poder estimular as pessoas para pouparem, para se prevenirem, para gerirem a sua vida com margem de segurança, para terem liberdade. Vai ser gerida com a mesma filosofia e o mesmo tipo de concentração como é a gerida a conta particular do cliente.

A vossa margem de segurança, entre o preço e o valor, é de quanto?

35% a 40% mas depende. Se nós fizermos uma incursão pelo mercado emergente como fizemos algures em 2014 é maior. Comprámos Santander Brasil, estava extraordinariamente barato e nós tinhamos uma margem de segurança de mais de 50% para acomodar também a questão cambial.

Têm uma rentabilidade média de 12%. Nestes anos só houve um ano em que perderam…

Foi em 2015 e eu explico porquê. Estes não têm sido anos bons para o investimento em valor. Há um conjunto de empresas que se têm destacado por parecerem que vão ser os únicos negócios ganhadores para sempre – Facebook, Amazon, Netflix e Google. A Tesla, por exemplo, tem prejuízo, mas a questão é que consegue contar uma narrativa poderosa que atrai os investidores, isto é, que vai ser o futuro. Mas para nós é importante conhecer a história da empresa. A Tesla tem o condão de estar a abrir o caminho numa área em que é importante inovar. Agora se é o preço que devemos investir na inovação nós achamos que não. Eu não compraria Tesla com o meu dinheiro e nunca o faria com o dinheiro dos meus clientes. E eu costumo dizer que o meu dinheiro trato por tu, o dos meus clientes por Vossa Excelência. Os meus investimentos são exatamente os dos meus clientes. Na Casa de Investimentos nós temos o nosso dinheiro investido onde os nossos clientes investem.

Neste momento está a investir em que ações?

Em ações da holding de Warren Buffett , IBM, Apple, Bank of America… A Apple foi um negócio que fizemos extraordinário. Nós não precisamos só da história. Precisamos de ver se ter margens acima da média, como a Apple conseguia ter acima de toda a concorrência, se é consistente. Está com uma valorização muito boa e está aqui entre as nossas 10 maiores posições. Para nós investimento em valor significa também não diversificar exageradamente. Hoje a nossa carteira de investimentos tem um PER (a relação entre o preço e os lucros que geram) é de 11.6 e muito barato quando comparado com o mercado que é cerca de 18. O que nós precisamos é que o nosso cliente esteja preparado para ver a sua carteira recuar 30 ou 40 por cento porque isso dá uma margem de manobra fenomenal para poder comprar bem quando o mercado cai. Por exemplo, os investimentos feitos em janeiro e fevereiro de 2016 foram cruciais para alcançar ganhos de 16% líquidos aos nossos clientes nesse ano.

Na Bolsa portuguesa quais são os vossos ‘top picks’?

Temos a Sonae SGPS. Nós comprámos a Sonae algures em 2012 entre 0,42 e 0,70 e vendemos depois a cerca de 1,30 euros. Nos últimos meses a Sonae caiu consideravelmente, mas comprámo-la porque está barata, é bem gerida e tem margens acima da média na Europa mas sobretudo porque é uma empresa que tem um negócio alimentar estável, o nível de endividamento desceu muito na Sonae. A nossa preocupação quando olhamos para a Sonae é olhar para a soma das partes e ver quanto é que vale. Visitámos a empresa, fomos recebidos e fizemos as questões que queríamos fazer. É a única cotada portuguesa onde estamos investidos. Nós gostamos de negócios muito pouco endividados, de empresas que vendam os seus serviços e produtos em todo o mundo, de estar em grandes alocadores de capital. Aquilo que é fundamental para nós é dizer assim: ‘Os nossos investidores já têm cá a sua casa, os seus negócios, o seu emprego, é muito bom expor uma parte do seu património financeiro aquilo é que o crescimento da economia mundial e não numa economia que é gerida há década sem margens de segurança. Temos governantes que nos gerem sem margem de segurança, com grandes níveis de endividamento, e que retiram a este país capacidade de crescer a uma taxa que nos permitir convergir muito mais para a Europa. O dinheiro tem sido tratado a pontapé no nosso país. Queremos criar um ciclo virtuoso de criação de riqueza. Comprar ativos excepcionais baratos deve ser a regra de ouro de qualquer investimento. Devemos estar preparados para a volatilidade, a variação de preço, mas não quer dizer que seja o valor. A carteira deve ter 25 ou 30 títulos.

Como se gerem os clientes intranquilos?

Os clientes que estão connosco há três anos ou mais não ficam. Primeiro porque já têm uma almofada suficiente que permite acomodar quedas na carteira e segundo lêem o que nós escrevemos, as notas que lhes mandamos. Os mais recentes é natural que fiquem mais nervosos, mais intranquilos. Eu no meu cartão tenho o meu número de telemóvel e estamos sempre disponíveis para ajudar a esclarecer. A questão é que quando as pessoas associam ações a papel têm a sensação que naquele momento conseguem estancar a perda e conseguem comprar depois mais barato e enganam-se redondamente.

Como é o seu dia-a-dia?

Chego à Casa de Investimentos relativamente cedo mas antes de chegar já vi muitas notícias. e também não me consigo deitar ser ver as notícias. Eu adoro aquilo que faço e é de fato o grande motivo porque tenho a Casa de Investimentos porque gerir o dinheiro dos outros é um trabalho de grande responsabilidade. Eu raramente leio fora da minha área financeira, porque como escrevo muito em vários meios de comunicação, também tenho muita disciplina na leitura. Levanto-me por volta das 6h30, leio o “The Guardian”, “Financial Times”, “New York Times” e também o “Jornal Económico”. Depois temos uma reunião no início do dia, dar respostas a clientes ou que há para responder a potenciais clientes, fazer o o ponto da situação do dia de trabalho, marcações de reuniões, depois grande parte do trabalho é estudar, ler os relatórios de contas das empresas, assistir às demonstrações de resultados, ouvir o comité de investimentos, que é composto por seis elementos, onde são analisados os resultados das empresas em carteira como as oportunidades de futuro. O nosso negócio é proteger o dinheiro dos clientes. Nós queremos ter a admiração dos clientes e ter um impacto positivo na sua vida. Eu tive que ganhar o meu dinheiro para ir estudar para Inglaterra e foi muito caro pagar o mestrado de Finanças.

Os seus pais são investidores?

Os meus pais têm a quarta classe. O meu pai tinha dois talhos e a minha mãe ajudava. Mas que a partir de um negócio pequeno conseguir educar seis filhos e pô-los todos a estudar. Se tivessem sido trabalhadores por conta de outrém não tinham conseguido. Nasci em Vieira do Minho, viemos para Braga pequenos, comprámos uma casa em Braga para podermos estudar.

Faz investimentos imobiliários?

Tenho uma quinta, gosto muito de agricultura, de ver crescer árvores, de plantar árvores. Só gosto de coisas que demorem muito tempo, de investimentos a longo prazo.

Como estão este ano?

O ano passado ganhámos acima do mercado quase oito pontos. Este ano temos uma carteira extraordinariamente barata, muito confortáveis, temos liquidez à espera de uma correção, somos quase como um caçador que gosta de ter munições para atirar quando a caça é certa e gostamos dar um tiro muito certeiro. É preciso estar preparado, ter as boas empresas analisadas e ter os interesses do cliente no coração. Ser sério e ser de confiança tem de ser um património inalienável no sistema capitalista, que é isso que faz que o capitalismo seja muito saudável.