A última fotografia. Fotógrafa de guerra capta o momento da própria morte

Na edição bimensal da revista do Exército dos Estados Unidos, de maio e junho, divulga a foto inédita tirada pela fotógrafa de combate Hilda Clayton e oferece uma visão assombrosa sobre os momentos finais da jovem.

REUTERS/U.S. Air Force

Foi há quase quatro anos que uma violenta explosão de um tubo de argamassa tirou a vida a Hilda Clayton, fotógrafa de combate do Exército norte-americano, que se encontrava no Afeganistão a testemunhar exercicíos de tiro. De câmara na mão, Hilda Clayton tirou uma última fotografia, segundos antes de morrer. Agora a edição bimensal da revista do Exército dos Estados Unidos, de maio e junho, a ‘Military Review’, divulga as fotos inéditas e oferece uma visão assombrosa sobre os momentos finais da jovem.

De acordo com o jornal norte-americano ‘The Washington Post’, Hilda Clayton tinha apenas 22 anos e tinha sido destacada há menos de uma ano para cobrir os desenvolvimentos no Afeganistão, numa altura em que o Exército afegão se aliava às forças norte-americanas para pôr fim a um conflito que durava há quase quinze anos. Num breve artigo sobre o incidente, a ‘Military Review’ elogia os serviços prestados por Hilda Clayton, afirmando que ela morreu a documentar uma “conjuntura histórica crítica” da Guerra.

“Hilda Clayton não só ajudou a documentar as atividades destinadas a moldar e fortalecer a parceria [entre os EUA e o Exército afegão], mas compartilhou o risco de participar nesta missão de alto risco”, pode ler-se na revista. “A morte de Clayton mostra como as mulheres-soldado estão cada vez mais expostas a situações perigosas no treino e combate a par com os homens”.

A jovem pretencia à 4ª Equipa de Combate da Brigada Blindada, 1ª Divisão de Cavalaria, no Afeganistão, apelidada de “Long Knife” (faca longa, em português).

“No curto período em que esteve com a brigada Long Knife, ela ganhou o respeito e a admiração de todos com quem ela entrou em contato”, afirma ao jornal o coronel Bill Benson, comandante da Long Knife. “Embora nada possa preencher o vazio que foi deixado, espero que haja alguma consolação em saber que Clayton era um membro valioso da equipa e que ela fazia a diferença pela positiva enquanto estava connosco”.

Segundo fonte do Exército norte-americano, Hilda Clayton foi “a primeira especialista em documentação de combate a ser morta no Afeganistão”. A explosão fez ainda outros quatro mortos, entre eles um fotógrafo militar afegão e três soldados, também eles afegãos, do Exército Nacional. Pelo menos onze pessoas ficaram feridas.



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