A única forma que as pessoas têm de assumir uma perspetiva realmente otimista no que respeita à partilha dos seus bens pessoais, passa pela noção de valorização desses bens.

Na sociedade de hoje, vivemos em clusters centralizados em cada país, criando o fenómeno que designamos por megacidades. Muito embora nos tenhamos juntado em pequenos aglomerados geográficos, estamos a assistir a uma redução nos nossos níveis de empatia e nas nossas competências sociais. Na verdade nem conhecemos quem vive perto de nós, os nossos próprios vizinhos.

Enquanto Service Designer, as minhas tarefas passam por conhecer profundamente os negócios dos meus clientes e os desafios que eles enfrentam. Sou um ávido consumidor de informação e é precisamente através da empatia e da metodologia de design thinking que consigo avaliar as necessidades dos consumidores. Esta abordagem deu-me a oportunidade de chegar às mais diferentes pessoas e de compreender o seu estilo de vida, os seus desafios e a forma como olham para a sociedade.

Uma coisa que aprendi é que a tecnologia está a acolher cada vez maior relevância, mas precisamos de compreender como a utilizar para criar uma sociedade melhor. Nesse sentido, assumo o meu interesse na Economia de Partilha e na Economia Circular, que têm um denominador comum: a reutilização e a otimização de cada “ativo” numa abordagem focada na eficiência.

A Economia Circular tem com os seus críticos. Sou, todavia, um otimista e tento sempre ver o copo meio cheio. Acredito que esta abordagem pode salvar os habitantes das grandes cidades. Na partilha, por exemplo, estamos a criar novas ligações e a conhecer diferentes pessoas. Ao partilharmos, temos a oportunidade de otimizar os nossos próprios ativos (casa, carro, ferramentas, espaço de estacionamento, caves, etc.), garantindo maior retorno de ativos, cujo valor se vai reduzindo à medida que o tempo passa.

Sabemos, por experiência própria, que a única forma que as pessoas têm de assumir uma perspetiva realmente otimista no que respeita à partilha dos seus bens pessoais, passa pela noção de valorização desses bens. É aqui que reside a oportunidade de construir uma sociedade que – ao reduzir o número de bens comprados e substituídos, dando prioridade ao “aluguer de bens” durante um período de tempo – se torna mais eficiente e reduz o seu impacto no planeta. Sejamos honestos: quantas vezes comprámos algo para casa que utilizámos uma vez e nunca mais tirámos da gaveta?

Se removermos da equação a questão financeira e o “valor do dinheiro”, a economia de partilha tem o potencial de “salvar” as pessoas do isolamento e da falta de empatia que caracterizam as grandes cidades. Através da partilha, estabelecemos ligações, fazemos novos amigos e conhecidos, criamos a possibilidade de conhecer diferentes culturas e estilos de vida. O melhor que temos no nosso planeta é a diversidade e a Economia de Partilha dá-nos a capacidade de aproveitar essa diversidade e de viver novas experiências – argumentos importantes porque o que realmente nos preenche são as experiencias que vivemos.

Em Amesterdão – a primeira “Cidade de Partilha” a surgir na Europa – podemos verificar a materialização desta “Economia de Partilha” em diversas situações que levaram ao aparecimento de diversos serviços, como por exemplo: o ParkFlyRent (www.parkflyrent.com), em que os donos dos automóveis deixam as suas viaturas no aeroporto quando vão de férias, ficando disponíveis para aluguer; o Djeepo (www.djeepo.com) permite o aluguer de espaços privados como caves, sótãos e quartos extra para servir de arrumações; o Konnektid (www.konnektid.com) vocacionado para a partilha das mais variadas competências com terceiros, desde tocar guitarra a ensinar línguas estrangeiras; o We Helpen (www.wehelpen.nl) é um exemplo que promove a partilha de trabalho voluntário nas cidades; o Campton (www.camptoo.nl) dedica-se ao aluguer das autocaravanas; o Abel (www.rideabel.com) permite ligar pessoas que estão em viagem para determinado local com vista à partilha do meio de transporte; e o MyWheels (www.mywheels.nl) especificamente vocacionado para o aluguer de carros entre vizinhos.

Mas não só. Também existe a possibilidade de recorrer à paixão e talento de chefs entusiastas para quem gosta de comida de qualidade e ambiente hospitaleiro através do AirDnD (www.airdnd.nl), ou, como último exemplo, utilizar o Home Exchange (www.homeforexchange.com) para potenciar a troca de casas durante um pequeno período de tempo.

Estarão as restantes cidades preparadas para a Economia Circular?



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