A “lua-de-mel” de Costa acabou. Imprensa espanhola volta a atacar Portugal

Desta vez é o jornalista Aitor Hernandéz a escrever que, nos últimos dias, o mandato do líder socialista tem sido abalado por uma série de escândalos que acabaram com "milagre português" da saída do Procedimento por Défice Excessivo.

© Jornal Económico/Cristina Bernardo

O executivo de António Costa foi esta sexta-feira alvo de uma nova notícia crítica da vizinha Espanha. Depois das críticas à atuação do Governo português em relação ao incêndio que deflagrou em Pedrogão Grande e ao roubo de material militar em Tancos, o jornal El Español escreve que estes episódios “acabaram com uma prolongada lua-de-mel do executivo”.

“O último mês tem sido difícil para António Costa”, começa o artigo. Desta vez, a notícia vem assinada não pelo misterioso Sebastião Pereira (do jornal ‘El Mundo’) que previu a queda política do primeiro-ministro, António Costa, mas pelo correspondente em Portugal Aitor Hernandéz.

Na mesma linha de pensamento, Aitor Hernandéz escreve que, nos últimos dias, o mandato do líder socialista tem sido abalado por uma série de escândalos que acabaram com “milagre português” da saída do Procedimento por Défice Excessivo, a que se referiram o jornal norte-americano ‘New York Times’ e os britânicos da BBC. O jornalista fala da “controversa gestão do trágico incêndio de Pedrógão Grande, o roubo de armas de Tancos e a demissão de vários secretários de Estado, acusados de receber tratamento favorável indevido por parte de uma empresa energética”.

Aitor Hernandéz sustenta que face a esses escândalos, o Governo de António Costa enfrenta “uma maior divisão do ambiente político do país e uma remodelação governamental”.

Sobre as críticas da imprensa espanhola, Francisco Louçã, antigo líder do Bloco de Esquerda, já defendeu que é “preciso acordar” e entender que por detrás delas estão dirigentes do Partido Popular (homólogo do PSD em Espanha). “Este é um sinal preocupante” e “como se viu no caso ‘Sebastião Pereira’, o Partido Popular espanhol está muito preocupado com o exemplo do governo português e desembainhou a intriga”, afirma.

Francisco Louça dizia ainda que “Portugal entrega aos seus parceiros militares a lista do material roubado, que é secreta, e vem publicada no dia seguinte no El Español. Uma ministra portuguesa comenta o caso com o seu parceiro espanhol e uma versão da conversa vem escarrapachada no El Mundo, no dia seguinte. Uma vez é um deslize suspeito, duas vezes é uma operação”.





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