A difícil ‘rentrée’ da oposição

Em ano de eleições autárquicas, sem uma mensagem clara e sustentada em factos, dificilmente os partidos da oposição poderão ansiar por resultados surpreendentes.

Continuam a ser várias e variadas as boas notícias relativas a Portugal. Para desgosto dos que anseiam constantemente por catástrofes ou más notícias, a situação económica e social do nosso país continua a recuperar dos anos de austeridade do período 2011-2015.

Portugal cresce já acima da média da União Europeia (UE) em termos homólogos, muito perto dos 3%. Para tal tem contribuído a confiança dos agentes económicos na economia, quer os nacionais quer os internacionais. Reflexo disso é o forte ritmo do investimento privado em 2017 (o maior em duas décadas), o consumo, as exportações e mesmo o investimento público (com forte crescimento no 1º semestre de 2017). A juntar a isto, continua o ritmo elevado de criação de emprego (quase 90 mil empregos líquidos criados em 2017) e a diminuição da taxa de desemprego (já na média da UE). O défice público deixou de ser “o problema”, dado que as metas propostas – quer pelo Governo quer pela Comissão Europeia – têm sido anualmente atingidas, enquanto a dívida externa líquida prossegue a sua trajetória decrescente.

Estes factos têm merecido o reconhecimento de muitas entidades internacionais (e, apesar de alguma resistência, de alguns apologistas do modelo económico de austeridade). É o caso do francês Express Business, do The Guardian ou até das agências de rating, como aconteceu recentemente com a Moody’s.

Os bons sinais económicos e sociais refletem-se também na melhoria da posição de Portugal em rankings internacionais em áreas diversas. Por exemplo, Portugal subiu no Índice de Progresso Social (da organização Social Progress Imperative), integrando novamente o grupo dos 20 países a nível mundial com melhores resultados em termos de bem-estar, oportunidades e satisfação das necessidades básicas. Também o inquérito lançado pela InterNations a expatriados a nível mundial, considera Portugal o 5º melhor país do mundo para viver e trabalhar. Ou, ainda, o reconhecimento frequente da qualidade do nosso sistema de investigação e de ensino superior, como é comprovado pelos diversos rankings internacionais.

Estes bons resultados reduzem a margem de manobra e o discurso político dos partidos pró-austeridade em Portugal. Sabem que o que mudou foi a visão de desenvolvimento (com a inovação e as qualificações a constituírem dois pilares fundamentais) e um policy mix progressista (com maior preocupação social) e uma política económica onde o Estado é também, como deve ser, “inovador” e “empreendedor” e não apenas um “regulador”. Em ano de eleições autárquicas (e apesar de não se poder extrapolar resultados para outro tipo de eleições), sem uma mensagem clara e sustentada em factos, dificilmente os partidos da oposição poderão ansiar por resultados surpreendentes (pela positiva).

Não será imprudente afirmar que os principais riscos colocados à economia nacional se situam mais lá por fora do que cá dentro. Riscos derivados da alteração da política monetária do Banco Central Europeu, do rumo político da UE, do Brexit ou mesmo das incertezas estratégico-militares a nível internacional. Por cá, o objetivo comum de desenvolvimento e progresso social das forças políticas que sustentam o Governo são a base da coesão e estabilidade de que o país precisa.



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