2017: Todos os caminhos vão dar à América Latina

Para este ano, no radar dos destinos de internacionalização das empresas portuguesas com maior potencial e oportunidades diversas, surge a América Latina.

De dimensões assinaláveis e potenciais vários a América Latina dá, cada vez mais, sinais de estar altamente recetiva aos produtos “made in Portugal”.
Os países latino-americanos constituem importantes mercados de diversificação de fluxos de comércio e de investimento para Portugal, razão pela qual poderá revelar-se para as PME portuguesas uma aposta de sucesso apontar os planos de internacionalização para estes lados.

Até à data, Portugal e estes países têm mantido laços de entendimento histórico, cultural e económico que vêm reforçar os acordos de cooperação que assinaram com a União Europeia, permitindo fomentar as relações culturais e desenvolver projetos comerciais comuns. As relações de proximidade cultural e linguística entre Portugal e diversos países da América Latina devem também desempenhar um importante papel instrumental na dinamização de projetos e atividades conjuntas de natureza empresarial e económica.

Na realidade, trata-se de um mercado alvo com uma população superior a 590 milhões de habitantes, o que equivale a cerca de 10% da população mundial. Os seus principais parceiros económicos são os EUA e a União Europeia.

Em termos económicos, segundo analisa Paulo André, managing partner da Baker Tilly, grande parte dos países da América Latina são considerados países em desenvolvimento, estando a maioria das suas populações empregadas no setor primário. Esta região também é caracterizada por ser pouco industrializada pelo que as economias locais ficam muito dependentes da agropecuária e mineração. Contudo, a atividade agrícola é ainda muito rudimentar, não havendo meios técnicos que permitam uma melhor automatização dos processos. Esta é uma indústria que as empresas portuguesas que aí operam devem ter em conta na hora de se expandirem internacionalmente.

Por sua vez, a exportação da maior parte dos países está ainda muito dependente de produtos naturais, cujos preços de mercado são bastante oscilantes, o que contribui para a instabilidade económica da região.

Outra indústria em que as empresas nacionais podem investir é a dos transportes. Aliás, a falta de uma boa rede de transportes é uma das principais dificuldades do desenvolvimento económico da região.

“Há mercados abertos ao investimento português e que receberiam de bom agrado empresas nacionais na América Latina” – esta foi a mensagem comum aos embaixadores latino-americanos que estiveram presentes no recente Fórum Empresarial “Internacionalização para a América Latina” e que fizeram questão de estimular a possível aposta portuguesa em países como a Argentina, Colômbia, Cuba, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.

Uma das intervenções neste sentido foi proferida pela embaixadora da Colômbia em Portugal, Carmenza Jaramillo, que defende que um país como a Colômbia tem necessidade de investimento em várias áreas que podem interessar aos empresários portugueses.

Ainda sobre este encontro importa reter que organizado pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina e pela Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), e que juntou investidores e diplomatas que anunciam oportunidades de investimento em diferentes setores. Fernando Paiva Castro, em nome da AIDA assumiu que esses contactos são importantes para se perceber melhor o quadro em que as empresas poderão estar envolvidas. “A nossa capacidade de imaginação, o saber fazer bem permite estar nos mercados internacionais que são exigentes mas que nos fazem subir e aperfeiçoar. Esta é a nossa filosofia. Transmitimos essa mensagem aos empresários para fazerem bem e tão bem ou melhor que os outros”, reforçou ainda o responsável.

“Expocomer 2016” reforça aproximação
A Fundação AIP, com o apoio institucional da aicep – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e do Programa Portugal 2020, em conjunto com a Casa da América Latina e as embaixadas do Panamá em Portugal e de Portugal no Panamá promoveram a primeira presença de Portugal na maior feira comercial da América Latina, a Expocomer 2016, que decorreu em março passado, no Centro de Convenções Atlapa, na cidade do Panamá.
O evento foi essencialmente dirigido às empresas que procuram exportar para o Panamá, ou que desejam diversificar os seus mercados de atuação na região da América Latina.

Esta foi uma excelente oportunidade para as empresas portuguesas poderem iniciar investimentos na região visto que a Expocomer é considerada uma das maiores plataformas de negócios da América Latina. Anualmente, esta feira reúne fabricantes, produtores, investidores e distribuidores oriundos de mais de 35 países, que se reúnem para várias reuniões de negócios e apresentações. Os empresários portugueses foram aconselhados a levar representantes de vários setores, nomeadamente, da construção civil, obras públicas, materiais de construção, indústria alimentar ou tecnologias de informação ou software. Importa ainda sublinhar que Portugal contou com o seu próprio pavilhão nesta feira.

Rumar ao Panamá e Costa Rica
A AEP – Associação Empresarial de Portugal, em parceria com a CCIP – Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, está a promover uma missão empresarial ao Panamá com extensão à Costa Rica, que decorrerá entre os próximos dias 19 e 26 de março. A abordagem a estes dois países fundamenta-se na estabilidade económica e nas perspetivas que estes mercados apresentam no que vai ser o paradigma do comércio nestas regiões, fundamentalmente assente na sua posição geoestratégica.

O Panamá goza de uma posição estratégica que lhe permite ser um dos principais centros logísticos a nível mundial, com o Canal do Panamá como eixo principal. Conta com a Zona Livre Colon (ZLC), a mais importante do hemisfério ocidental, com um intercâmbio comercial anual de mais de 12 mil milhões de dólares. Os investimentos em infraestruturas e no setor mineiro deverão constituir os principais motores do crescimento económico ao longo deste ano, o que trará oportunidades para todas as empresas da fileira da construção, energia, saúde e por relação aos setores da saúde, da tecnologia, do turismo e do agroalimentar.
A Costa Rica, em termos económicos, tem melhorado significativamente e os indicadores apontam para a continuidade do crescimento. O governo implementou um plano de sete anos destinado à expansão da indústria em geral e com relevância no setor da alta tecnologia, o que contribuiu para que o país acolhesse grandes projetos.