1,5% do PIB concentrado em Ponte de Sor debate ‘cluster’ da aeronáutica

Por estes dias, na cidade de Ponte de Sor, no Alto Alentejo, governantes, Marinha, Exército, Força Aérea, NAV, TAP, universidades e empresas como a Altice, falam de tecnologia, mas também de combate aos incêndios ou da liberalização do transporte aéreo. O Portugal Air Summit 2018 decorre até domingo.

A indústria a aeronáutica criou em 2016 um cluster para abranger a aviação comercial, militar e todas as vertentes em redor do setor, que por esse ano já faturava cerca de dois mil milhões de euros. Um ano depois surgiu o Portugal Air Summit, em Ponte de Sor, com o pretexto de criar corridas de aviões inspirada nas “Reno Air Races” na região, mas que colocou o setor em debate no interior de Portugal. O evento conta agora com a segunda edição, que arrancou na quinta-feira e prolonga-se até domingo, 27.

“O cluster [setor industrial AED – aeronáutica, espaço e defesa] estava dividido”, explicou ao Jornal Económico Nuno Molarinho, managing partner da The Race, a empresa que organiza o evento com apoio da Câmara Municipal de Ponte de Sor e que conta com a promoção da Associação Comercial e Industrial de Ponte de Sor (AICEP). “O setor representa [atualmente] 1,5% do PIB”, acrescenta o responsável, para quem “é importante ter um caminho – e já há um internacional -” no setor.

O evento que começou ontem com o secretário de Estado da Proteção Civil, Artur Tavares Neves, e o autarca local, Hugo Hilário, abriram o evento, mas foi a participação do presidente do conselho de administração da Star Alliance, Jeffrey Goh, do presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, do ex-presidente da TAP, Fernando Pinto, e também do presidente da NAV, Jorge Ponce de Leão, que atraíram atenções.

Goh versou sobre a melhoria da experiência dos clientes da aviação comercial e Fernando Pinto apresentou ideias sobre a sustentabilidade do transporte a aéreo, tocando no tema da liberalização desse transporte. Mas foi a palestra de Ponce de Leão, há quatro meses na direção da NAV, que trouxe novidades: novo sistema de gestão do espaço aéreo vai estar “, em príncipio, completamente operacional em 2021”, ainda antes da entrada em operação do aeroporto do Montijo.

A aquisição de um novo sistema de gestão do espaço aéreo resulta da adesão, formalizada em março, ao consórcio Coopans, que já integrava os prestadores de serviços de navegação aérea da Áustria, Croácia, Dinamarca, Irlanda e Suécia.

Mais, “até 2050, espera-se uma redução em 50% das emissões de combustível dos aviões”- são 2% por ano – fez saber ainda.

A participação de Alexandre Fonseca foi outro dos mais de 50 oradores a participar no evento, a trazer novidades. O presidente executivo da Altice Portugal discursou sobre como a operadora de telecomunicações pretende levar Internet e toda a tecnologia a ela inerente a todo o país. E deu Ponte de Sor como exemplo: “Hoje é possível a qualquer pessoa aqui em Ponte de Sor abrir um negócio e exportar para os quatro cantos do mundo através de uma startup aqui instalada, e isto só é possível porque estão garantidas as condições de conectividade através da fibra ótica”.

“A Altice assume-se como o único operador verdadeiramente nacional, próximo das populações do interior e que apoia efetivamente esta transformação [digital] para que Portugal não tenha duas velocidades. Somos provavelmente o maior investidor em Portugal”, afirmou aos jornalistas, depois de ter afirmado que o país é “assimétrico” e que funciona a “duas velocidades”.
Por entender que “na inovação, o conhecimento e saber são dois conceitos que têm de estar colados”, o CEO da operador afirmou que o contributo da Altice “é através da investigação científica”. E acrescentou que aos laboratórios recém-criados em Viseu e Madeira juntar-se-á “a muito curto prazo” um no Algarve.
O CEO da Altice confirmou ainda ao Jornal Económico que o projeto que a operadora tem para o maciço central da Serra Estrela estará concluido este verão.
“Vamos ligar seis concelhos na Serra da Estrela [Gouveia, Seia, Oliveira do Hospital, Fundão, Covilhã e Manteigas]. São cerca de 50 freguesias e cerca de 150 mil pessoas, que vão ter acesso à Internet de banda larga através de fibra ótica até este verão. Quando fazemos isto estamos a falar de igualdade de oportunidades, porque ainda há muitos jovens sem oportunidades por não terem acesso à Internet de banda larga para poderem desenolver o seu trabalho, tal como há também empresários que se querem fixar no interior do país, mas que, hoje em dia, sem Internet é impossível”.
A pensar nos jovens, Fonseca defendeu ser necessário ir mais além e alterar “paradigmas educacionais cristalizados no tempo”. “É preciso levar às escolas, aquilo que é o sistema de educação de tecnologia e novas plataformas. Não é só dar computadores aos alunos, é importante envolver professores e envolver os país também porque isto tem de ser feito numa forma de comunidade. Caso contrário não vai funcionar”, concluiu.
E referiu que a Altice investiu 1.200 milhões de euros, “canalizados, em boa parte, para infraestruturas de fibra ótica, rede 4G e rede 4.5G”.
Ontem, também a Força Aérea nacional teve uma palavra a dar e o Major-General António Matos Branco revelou que Portugal “está no centro de toda a atividade no Atlântico”.
De orador para orador, houve oportunidade para falar como os meios aéreos atuam no combate aos incêndios. Uma tarefa levada a cabo por Alexandre Benigno, chefe da célula de gestão de meios aéreos do CNOS – Autoridade Nacional de Protecção Civil, que revelou serem os meios aéreos “os primeiros a chegar aos locais de difícil acesso” e, por isso, a sua utilidade é inegável.
Pouco depois, o secretário de Estado da Proteção Civil afirmou aos jornalistas que para este ano o dispositivo aéreo de combate aos fogos “está já preparado”, tendo sido alvo de “um grande simulacro” que funcionou “a todos os níveis”.
Esta sexta-feira, o Portugal Air Summit debruçou-se sobre os desafios da indústria aeronáutica, a tecnológia inerente ao cluster e para uma visão global e estratégica para o ‘cluster’ em portugal.
A iniciativa, que está a decorrer no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, pretende ainda “despertar emoções” e “atrair” milhares de pessoas ao certame para, além das conferências, assistir a uma corrida de ‘drones (aeronaves não tripuladas), no sábado, e a treinos diários de aeronaves.

No domingo, a corrida de aviões inspirada nas “Reno Air Races”, constitui o maior atrativo, sendo o circuito, marcado por ‘pylons’ (torres) de 25 metros de altura, encerra o Portugal Air Summit.

Esta corrida a baixa altitude vai permitir ao público sentir o som dos motores, com as velocidades de voo a atingirem os 400 quilómetros por hora.

Para o presidente da Câmara de Ponte de Sor, Hugo Hilário, o evento “é uma das maiores cimeiras” da aeronáutica da Europa, fazendo parte da “estratégia” do município desenvolver anualmente esta cimeira.”Reforçamos o número e a qualidade dos parceiros, internacionalizamos mais o evento e tenho a certeza que vamos ter muito mais visitantes do que em 2017″, disse à comunicação social.

As entradas no Portugal Air Summit, que termina no domingo, 27, são gratuitas.




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