100 mil milhões por ano para reduzir energia nos edifícios

Os projetos europeus MOEEBIUS e ClimACT pretendem introduzir em Portugal métodos mais eficazes na redução de energia no parque edificado em 35% e levar às escolas uma política de baixo carbono.

A necessidade de poupar energia já entrou na consciência coletiva, não só com formas mais eficazes de poupar na factura da eletricidade mas alargar ao edificado. De acordo com a Comissão Europeia (CE), melhorar a eficiência energética dos edifícios pode reduzir o consumo energético na UE em 5% e as emissões de CO2 em 6%.

Dados ainda da CE revelam que são necessários 100 mil milhões de euros por ano para conseguir cumprir os objectivos de eficiência energética traçados para 2020, os quais estabelecem poupanças energéticas de 20% até essa data. Os edifícios são, neste contexto, um dos factores mais relevantes, já que são responsáveis por cerca de 40% do consumo total de energia na UE e de 36% das emissões de CO2. Além das regras e directrizes para os edifícios novos, que devem ter um balanço energético próximo do zero em 2020, a CE alerta para importância de realizar melhorias no parque edificado, referindo que 35% de todos os edifícios existentes no território têm mais de 50 anos.

Com esta realidade, a investigação para medidas mais eficazes de eficiência energética tem vindo a ser realizada com a introdução de novos projetos. Um deles é o projeto europeu MOEEBIUS (Modelling Optimization of Energy Efficiency in Buildings for Urban Sustainability) que tem como principal objetivo a introdução de uma metodologia holística de otimização da eficiência energética que permita melhorar as estratégias atuais de modelação e disponibilizar ferramentas de simulação inovadoras.

Ricardo Rato, responsável da Área Sustainable Innovation Centre do ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade, responsável pelo projeto, revela que com o MOEEBIUS “pretende-se captar e descrever em profundidade as complexidades da operação dos edifícios em contexto real, quer através de simulações mais precisas, reduzindo significativamente os desvios atuais em entre o consumo previsto e o consumo real dos edifícios, como pela otimização contínua do desempenho energética dos edifícios”. Este projeto é financiando pelo programa europeu de investigação e inovação Horizonte 2020.

O responsável adianta que este projeto visa alcançar uma redução do consumo energético dos edifícios-piloto em 35% através da otimização do desempenho do edifício em tempo real, para tal será desenvolvida uma ferramenta dinâmica de apoio à decisão que vai permitir a deteção atempada de desvios, bem como o seu diagnóstico. “Desta forma, a ferramenta irá possibilitar um controlo preditivo e otimizar o consumo energético de cada sistema de acordo com as necessidades atuais. É importante destacar que os utilizadores dos edifícios são o elemento central do projeto, estando sempre assegurada a satisfação das suas necessidades e preferências com níveis de conforto superiores a 80%.”, explica Ricardo Rato.

O MOEEBIUS teve início em Novembro de 2015 e terá uma duração de três anos e meio.

Eficiência energética chega ao parque escolar

Além deste, outros projetos estão também a ser implementados, tais como o ClimACT (Acting for the transition to a low carbon economy in schools – development of support tools), financiado pelo programa Interreg Sudoe, está a desenvolver três ferramentas de apoio à transição para uma Economia de Baixo Carbono nas escolas. Ricardo Rato está igualmente responsável por este projeto e explica que numa primeira fase as ferramentas ClimACT serão implementadas, testadas e otimizadas em 35 escolas piloto de Portugal (Loures, Lisboa, Vila Nova de Gaia e Matosinhos), em Espanha, França e Gibraltar.

O responsável adianta que este projeto adota uma abordagem integrada a para a promoção da descarbonização nas escolas.

Por um lado, atua ao nível da monitorização da performance dos edifícios, identifica medidas de melhoria do desempenho ambiental das escolas e potencia os investimentos em eficiência energética. “O ClimACT incide não só ao nível da eficiência energética, mas também na eficiência no uso da água, na gestão de resíduos, na qualidade do ar interior, nos transportes, nos espaços verdes e nas compras verdes”, explica Ricardo Rato.

Por outro lado, o projeto ClimACT considera que o setor escolar detém um enorme potencial na formação e sensibilização em sustentabilidade e, por isso, desenvolve ferramentas educacionais que pretendem capacitar os alunos garantindo a sua contribuição para a descarbonização da economia.

Numa segunda fase, está previsto estender a metodologia ClimACT a todas as escolas do espaço SUDOE que pretendem juntar-se a esta iniciativa.



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