Editorial

por Filipe Alves

Vem aí um ano repleto de desafios

O ano que aí vem será desafiante para o conjunto do tecido empresarial português e as sociedades de advogados nacionais não serão certamente uma excepção. A economia portuguesa recupera lentamente da crise de 2011/2014, com um crescimento superior ao de muitos parceiros europeus mas ainda insuficiente. O investimento estrangeiro voltou em 2016, nomeadamente em áreas como o imobiliário, mas o clima de incerteza que paira sobre a economia mundial pode ter repercussões negativas neste domínio. E a incerteza política em Portugal é agora menor do que há um ano, mas tudo pode mudar se o Banco Central Europeu (BCE) rever a sua política de estímulos e o país ficar subitamente sem o amparo de Frankfurt.

Neste ambiente desafiante, os escritórios portugueses têm de continuar a apostar na inovação, na especialização e no reforço da eficiência, para assegurar a sua sustentabilidade. E têm de continuar a apostar na inovação, para criar novas formas de ir ao encontro das necessidades dos clientes. Esta é a parte do esforço que cabe às próprias sociedades. A outra parte do esforço para termos um setor da advocacia mais robusto e competitivo deve caber ao Governo. Tal como refere o presidente da Associação de Sociedades de Advogados Portuguesas (ASAP), João Afonso Fialho, na entrevista que nos concede nesta edição do Quem é Quem, o problema do regime de transparência fiscal continua a penalizar injustamente os advogados que exercem a profissão em sociedade. As firmas portuguesas são forçadas a concorrer com grandes ‘players’ internacionais que não têm de suportar tais encargos e que, por essa razão, conseguem ter maior capacidade para financiar o seu crescimento. É hora de apostar numa estratégia nacional para um setor que cria milhares de empregos qualificados e que contribui positivamente para a competitividade da economia portuguesa.

Filipe Alves

Neste ambiente desafiante, os escritórios portugueses têm de continuar a apostar no reforço da eficiência, para assegurar a sua sustentabilidade. E têm de continuar a apostar na inovação, para criar novas formas de ir ao encontro dos clientes.