Análise

por Filipe Alves

Um retrato das sociedades de advogados portuguesas

As sociedades portuguesas têm em média 25 advogados. As áreas de Contencioso e Societário são as que mais pesam nas receitas das sociedades. E a faturação à hora é a que mais pesa nas receitas das firmas. Veja o retrato do setor.

A maioria dos advogados portugueses trabalha em prática individual, mas a advocacia em sociedade tem cada vez mais adeptos em Portugal. No mundo globalizado e competitivo em que vivemos, trabalhar em sociedade tem a vantagem de poder contar com profissionais especializados nas diferentes áreas de prática, proporcionando ofertas de serviços mais abrangentes e completas. Mas que retrato podemos fazer do setor da advocacia de negócios em Portugal? Para responder a esta questão, o Jornal Económico consultou os resultados do estudo que a Associação das Sociedades de Advogados Portuguesas (ASAP), que representa 70 escritórios, realizou no ano passado.

Esta ‘radiografia’ ao setor, realizada através de um inquérito a 69 firmas nacionais (ver infografia), revela que o mercado português de advocacia de negócios é composto por sociedades de diferentes dimensões, realidades e vocações. E aponta também para uma crescente profissionalização do setor, independentemente das diferenças entre as realidades de cada escritório. Uma das primeiras conclusões que saltam à vista diz respeito à dimensão e à antiguidade dos escritórios. Em termos médios, a sociedade portuguesa tem 25 advogados, cinco advogados estagiários, dez administrativos e dois consultores. Por outro lado, a maioria das sociedades portuguesas tem menos de 15 anos de existência. Apenas 17 firmas têm entre 16 e 25 anos de vida, enquanto outras 12 têm mais de 26 anos.

Outra conclusão a retirar é que predominam as sociedades no verdadeiro sentido do termo: 91% das firmas abrangidas são sociedades nas quais existe uma estratégia comum e não apenas uma forma de repartir encargos. E 61% são sociedades em que não existem relações familiares entre os sócios. De destacar é também a importância que áreas de prática como o Contencioso e o Direito Societário têm na estrutura de receitas das firmas portuguesas. O Contencioso representa em média um quarto da faturação, seguido do Societário (14,9%), Direito Privado (13,3%) e Fiscal (11,9%). No que toca ao ‘mix’ de receitas das sociedades nacionais, a faturação à hora é a mais relevante (41%), enquanto as avenças representam 29% e outros modelos valem 28%.